Sérgio Rodrigues Brasileiro, 1927-2014

       Nascido no Rio de Janeiro em 1927, em uma família de intelectuais e artistas — era filho do ilustrador Roberto Rodrigues e sobrinho do cronista Nelson Rodrigues —, Sérgio Rodrigues desenvolveu sua paixão pela marcenaria e pelo desenho ainda na infância, projetando os próprios brinquedos. Em 1947, ingressou no ensino superior e graduou-se arquiteto em 1952. Desde o início, defendeu firmemente a tese de que a arquitetura moderna não se limitava às fachadas e divisões de concreto; ela exigia um mobiliário que dialogasse intimamente com o espaço interno e as necessidades humanas de bem-estar.
       Seus passos iniciais incluíram uma colaboração na arquitetura do Centro Cívico de Curitiba e uma breve passagem pelo ateliê Móveis Artesanal. No entanto, a verdadeira revolução mercadológica e artística aconteceu em 1955 com a fundação da Oca em Ipanema. Muito mais do que uma loja, a Oca funcionava como um centro difusor de cultura, galeria de arte e laboratório de design de interiores. O espaço desafiou a então popular estética dos "pés palito" e introduziu móveis robustos, de linhas sinuosas, sensualidade tátil e forte conexão com o artesanato nacional e as raízes indígenas.
       O reconhecimento internacional definitivo veio em 1961, quando a Poltrona Mole conquistou o primeiro lugar no Concorso Internazionale del Mobile em Cantù, na Itália. Rebatizada no exterior como Sheriff, a peça foi adquirida pelo Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York, provando ao mundo que o design de alto padrão poderia ser, ao mesmo tempo, extremamente confortável, informal e sofisticado.
       A consagração de seu traço estendeu-se à arquitetura institucional do país. Rodrigues foi convidado a criar e ambientar palácios, embaixadas e prédios públicos da nova capital, Brasília, desenhando móveis icônicos para o Palácio do Itamaraty, a Universidade de Brasília (UnB) e o Teatro Nacional.
       Ao longo de mais de 60 anos de atividade criativa ininterrupta, ele projetou mais de 1.200 peças de mobiliário. Até o final de sua vida, em 2014, o "mestre das poltronas" manteve-se fiel à marcenaria autoral em jacarandá, freijó e imbuia, deixando um legado eterno de identidade, calor e afeto na história do design mundial.