Móveis CIMO 1913-1982

"Nossa missão foi estabelecer um marco divisor na história do País: deixar para trás a cópia e a herança puramente artesanal para introduzir a cultura do planejamento industrial e do design em série."
       A trajetória da Companhia Industrial de Móveis (CIMO) confunde-se com a própria história da industrialização e da modernização urbana do Brasil. Tudo começou na década de 1910, em Santa Catarina, quando os fundadores decidiram confeccionar pés de cadeiras utilizando retalhos de imbuia que antes eram descartados. Com o aperfeiçoamento técnico de Martin Zipperer no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, a então Indústrias Reunidas de Madeira aliou o manejo florestal sustentável à importação de maquinários europeus de última geração, dando início à produção de móveis funcionais e de altíssima resistência.
       A consagração absoluta da marca ocorreu a partir dos anos 1940 e 1950, período em que a razão social foi oficialmente alterada para Móveis CIMO S/A. Sob uma administração que descentralizou sua produção por meio de complexos fabris em Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro, a CIMO assumiu o papel central de suprir a explosão da infraestrutura pública brasileira. Suas famosas cadeiras e poltronas retráteis de madeira compensada moldada e pernas de ferro vestiram auditórios universitários, fóruns, assembleias legislativas e as grandes salas de cinema de Norte a Sul do país. Paralelamente, suas carteiras escolares tornaram-se o padrão absoluto da educação pública e privada da época.
       Embora o mobiliário corporativo e institucional tenha dado escala continental à empresa, a divisão residencial da CIMO conquistou a crítica de design e a classe média-alta. Sintonizada com o surgimento do estilo mid-century modern, a fábrica passou a produzir buffets modulares, sofás de linhas limpas e esguias, mesas de jantar extensíveis e as cobiçadas poltronas estofadas em imbuia e jacarandá. O desenho da CIMO unia a racionalidade geométrica alemã à leveza exigida pelo habitar tropical, provando que o mobiliário seriado de fábrica guardava profundo refinamento estético.
       Após a morte de seus fundadores e impasses na gestão e modernização do mercado, a corporação encerrou suas atividades industriais em 1982. Seu fechamento, contudo, consolidou seu caráter histórico. Atualmente, o mobiliário produzido pela CIMO é intensamente pesquisado em teses de história do design e da arquitetura. Suas peças originais, facilmente identificadas pelas chapas metálicas ou carimbos pirogravados na madeira, tornaram-se verdadeiros tesouros vintage disputados por antiquários e galerias especializadas em colecionismo moderno nacional.