Jorge Zalszupin Polônia, 1922-2020

"O design não deve apenas resolver um problema prático ou estético; ele deve carregar uma pitada de poesia e uma elegância que resista ao teste do tempo."
       Nascido em Varsóvia, na Polônia, Jorge Zalszupin graduou-se em arquitetura pela prestigiada École d'Architecture de Saint-Luc, na Bélgica, em 1945. Marcado pelos traumas da guerra e seduzido pelas notícias sobre a efervescência da arquitetura moderna na América Latina, decidiu emigrar para o Brasil em 1949. Estabeleceu-se em São Paulo, cidade que vivia um crescimento industrial acelerado. Inicialmente, trabalhou em escritórios de arquitetura, mas logo percebeu uma lacuna crucial no mercado: a falta de móveis com acabamento refinado que estivessem à altura das novas residências contemporâneas.
       Essa inquietação o levou a fundar, em 1959, a oficina L'Atelier, uma iniciativa pioneira que transformou o design artesanal em um processo de manufatura em série com rigoroso controle de qualidade. Foi nessa fábrica-laboratório que Zalszupin desenvolveu suas técnicas mais famosas, como o uso inovador de retalhos de madeira jacarandá prensados e colados para formar mosaicos, além do reaproveitamento de sobras de folhas de madeira. Essa abordagem sustentável e geométrica deu origem a peças esculturais icônicas, como a Mesa de Centro Pétala (1959).
       A consagração de seu trabalho coincidiu com a construção de Brasília. O mobiliário sofisticado e cosmopolita da L'Atelier, com suas estruturas delgadas de aço cortadas à guilhotina e conchas curvas de jacarandá, vestiu os palácios do governo federal e os escritórios dos novos ministérios. O design de Zalszupin capturou com perfeição a atmosfera corporativa e elegante da época. Peças como a Poltrona Presidente (1960) tornaram-se o símbolo máximo do poder e do bom gosto institucional do modernismo brasileiro.
       Nas décadas seguintes, Zalszupin diversificou sua atuação, expandindo a L'Atelier para a produção de móveis de plástico injetado e assumindo a direção de design da Hevea, importante complexo industrial. Em seus últimos anos de vida, o designer dedicou-se à pintura e viu o ressurgimento avassalador do interesse global por sua obra, que passou a ser reeditada pela Etel Design. Faleceu em 2020 aos 98 anos, deixando um legado indelével onde a exatidão matemática da arquitetura e o calor orgânico da madeira se fundem em perfeita harmonia.