Celina Decorações 1918-2003

"Nossa proposta sempre foi unir o rigor e a geometria do desenho moderno à excelência do acabamento artesanal, tornando o design de alto padrão acessível e integrado à arquitetura de seu tempo."
      A história de Celina Zilberberg confunde-se com a própria consolidação do mercado de decoração de alto padrão no Rio de Janeiro. Em 1951, ela figurava como uma das sócias fundadoras da lendária Tapeçaria Boa Vista, uma indústria têxtil que se tornou sinônimo de refinamento em tapeçarias e revestimentos na então capital federal. Esse profundo domínio técnico sobre tramas, tecidos e estofaria artesanal gerou a base construtiva e de controle de qualidade que moldaria os passos seguintes de sua família.
       Com a transição dos anos 1950 para os anos 1960 e o avanço da estética da bossa nova e da arquitetura de Brasília, o mercado clamava por móveis que conversassem com os novos e fluidos apartamentos modernos. Foi sob a direção de seu filho, Munis Zilberberg, que a marca expandiu o escopo de atuação e foi rebatizada como Celina Decorações. A filosofia da empresa era precisa: equilibrar uma execução técnica impecável, comparável à de grandes ateliês de design autoral como a Oca de Sérgio Rodrigues, a valores mais competitivos. Essa estratégia de mercado permitiu que a marca se tornasse a grande responsável por aproximar o design modernista tropical da classe média-alta brasileira.
       As produções da Celina Decorações destacavam-se pelo uso magistral das madeiras de lei nativas do Brasil, com ênfase no jacarandá-da-bahia, jacarandá-paulista e na caviúna. As peças expressavam o verdadeiro espírito do modernismo tropical: linhas simples, funcionais e desprovidas de excessos, aliadas a enfilades modulares, sofás com estruturas aparentes de jacarandá maciço e poltronas revestidas com palhinha nacional ou tecidos finos.
       Entre as décadas de 1970 e 1980, a empresa expandiu sua atuação para projetos de interiores completos. Além do mercado residencial, a Celina Decorações teve papel determinante no fornecimento de mobiliário corporativo de escritório e na infraestrutura para a expansão da hotelaria nacional de luxo no país.        Celina faleceu em 2003, deixando um legado indelével que hoje é intensamente disputado por colecionadores de design e galerias de arte mid-century, reafirmando a autenticidade e a força estética de suas criações.